No início desta tarde, houve um sismo de magnitude 4,1, seguido de uma réplica semelhante após cerca de dois minutos. Terá sido sentido com maior intensidade na área Norte de Lisboa.
Como é habitual após cada sismo perceptível (pois existem inúmeros sismos dos quais não damos conta), surgem os alertas dos especialistas que nos relembram não estarmos preparados para um evento à escala do de 1755.
Imagino que não. Talvez nenhum país esteja verdadeiramente preparado para um sismo como aquele que reconfigurou o fim da Idade Moderna em Portugal. No entanto, e porque não sou especialista na matéria e confio em quem o é, fico sempre com a impressão de que os alertas repetidos após cada sismo têm sido ignorados.
Se assim não fosse, não seríamos confrontados com expressões do género «não estamos de todo preparados», como as do director do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, Filipe Rosas. O geólogo referia-se hoje, no Expresso, à falta de aplicação e fiscalização das normas no terreno.
Talvez não ajude a relativa estabilidade sísmica desde o grande terramoto que viria a destruir Lisboa no tempo de D. José. E, como sabemos, seja nesta ou em qualquer outra área, a estabilidade, por mais estranho que possa parecer, é talvez um dos factores mais determinantes para sermos apanhados desprevenidos.
Além disso, as medidas preventivas só são visíveis quando surgem os eventos destrutivos para os quais foram criadas. Por isso mesmo, e porque podem passar gerações sem que mostrem a sua utilidade na prática, tendem a ser consideradas como hiper-protecções ou gastos desnecessários, ao invés de um investimento.
Este factor poderá ajudar-nos a compreender o que se passa em zonas tradicionalmente sísmicas, como o Japão ou a Califórnia, que vêm reforçada a sua preparação, tanto a nível comportamental como estrutural, sismo após sismo.
Talvez devêssemos recordar-nos disto; não apenas no que diz respeito à estabilidade sísmica, mas também aos invernos que fazem esquecer os incêndios, aos 140 anos de um elevador fiável, à estabilidade de uma rede eléctrica ou mesmo às alianças diplomáticas de longa data.
A propósito de estabilidade, acontecimentos imprevistos e «deitar as mãos à cabeça» quando algo corre terrivelmente mal, aconselho a leitura de Nassim Nicholas Taleb.




