Ao analisar dados sísmicos lunares, recolhidos entre 1976 e 1977 através dos instrumentos deixados pelas missões Apollo, é possível identificar milhares de pequenos «tremores de Lua», com uma periodicidade bem definida.
O detalhe mais curioso é que uma parte dos sinais mais bruscos e intensos, que se repetem meticulosamente ao longo do ciclo dia-noite, parece vir do próprio módulo da Apollo 17, na superfície lunar desde 1972.

(a) Distribuição temporal dos sismos lunares, escalada segundo o tempo médio de emergência do sinal; a linha preta assinala o início da sequência. Os restantes elementos deste painel são idênticos aos da Figura 7.
(b, e) Distribuição dos sismos lunares, escalada segundo o tempo de emergência do sinal, para as horas 9 e 10. As linhas verticais assinalam eventos de grau B (roxo), C (azul) e D (cinzento), que não foram localizados.
(c, f) Série temporal do geofone 1 para as horas 9 e 10.
(d, g) Espectrograma do geofone 1 para as horas 9 e 10.
Fonte: legenda traduzida e adaptada da Figura 8 de Civilini, F., Weber, R., & Husker, A. (2023), Thermal Moonquake Characterization and Cataloging Using Frequency-Based Algorithms and Stochastic Gradient Descent, Journal of Geophysical Research: Planets, 128, e2022JE007704. https://doi.org/10.1029/2022JE007704
Com as mudanças extremas de temperatura entre o dia e a noite, a estrutura metálica sofre dilatações e contracções, produzindo vibrações que se propagam ao solo e são assim detectáveis pelos instrumentos.
Esta particularidade dos sismos lunares, à partida inesperada, pode desempenhar um papel importante na escolha de materiais, no projecto e na concepção de futuros equipamentos de exploração espacial.
Fonte:
Civilini, F., Weber, R., & Husker, A. (2023). Thermal moonquake characterization and cataloging using frequency-based algorithms and stochastic gradient descent. Journal of Geophysical Research: Planets, 128, e2022JE007704. https://doi.org/10.1029/2022JE007704



